segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

PREFÁCIO:

 


Inspirado em Clarice fiz algumas tentativas que não chegam aos calcanhares da Mestre. Fica a promessa de tentar novamente para num tempo próximo aperfeiçoando a técnica, poder apresentar a público algo mais «perfeito». Lê pois estes meus poemas não julgando desde já os resultados. Mas sim como estímulo à tua imaginação, para que se assim tiveres vontade, escrevas e desenvolvas tu próprio os teus poemas. Usa estes pequenos apontamentos como material pedagógico na área da poesia ou com outra finalidade qualquer para a qual vejas haver pertinência para o uso deste pequeno livro electrónico.

Muito feliz ficaria eu, se alguém visse nesta Colecção de Livros Electrónicos de Poesia (Colecção Cadernos de Poesia), interesse e pertinência para usar como material pedagógico em contexto escolar ou de formação. Se assim for, ficaria eu com o sentimento de que não foi em vão todo este esforço para produzir estes Cadernos que tanto trabalho me deram, que tanta energia consumiram.




sábado, 31 de janeiro de 2015

1 - 27 - 1

 


1.

Cheia de alma…

Cheia de liberdade

Plena de felicidade

Da mesma fonte, da mesma água

Bebendo a palavra saudade

Bebendo a palavra amor

Da mesma etérea divindade

À procura de um amor

De uma busca incessante

Das caminhadas matinais

Ao longe brilha solene

O horizonte longínquo

Entre fontes e trigais…

27.


2.

Fonte das minhas mágoas

Fonte das minhas ilusões

Desfeitos por outras águas

Feitos da mesma areia

Onde se desfazem os meus castelos

À beira da mesma praia

Para que me ouça a saudade

Grito alto da atalaia

Grito ao vento liberdade

Dessa maré cheia de vontade

E no rebentar das ondas

Na praia do meu desatino

Praia da minha desventura

Chegando a uma praia madura

Corre o meu destino

Pelas encruzilhadas da vida

26.


3.

O teu amor sofrido

A mesma mágoa

Sentindo tu aflito

Dor que mata

Dor que sangra

Dor insana

Dor imensa

As tuas palavras da sorte

Quando escreves com a tua pena

Nesse teu leito de morte

Que te espera serena

A terra dura

O mesmo sangue

A mesma terra vermelha

Com que escavas a sepultura

As mesmas frases

As mesmas palavras

Que te soprou ao ouvido primeiro

Que gritas ao mesmo vento

Usando ao peito o sofrimento

Dessa dor que tu empunhas

Por ais e suspiros desmedidos

E por gritos tão sofridos

Filhos da mesma desgraça

Sofrimento de outras vidas

Lavando essas lágrimas sentidas

O rio que passa leva as mágoas

Das tuas vidas

Das mesmas águas…

25.


4.

Caravela…

Barca celeste

Ao vento solar das estrelas

Enfunando as suas velas

Ao sol do seu contentamento

Que lança amarras ao vento

Do viajante interestelar

Via de contentamento

Tão lácteos de alimento

Navegando nesses braços

Que prendem o sol ao luar

De amores tão inconstantes

As estrelas vigilantes

Estendem o seu véu diáfano

Que tão formosas nuas

Lançando preces à lua

Cheias de saudade e de gosto

Plenas de luar

Numa qualquer noite de Agosto

24.


5.

Infante mudo

Mar da sua solidão

Abrindo esse mar profundo

Dá à luz mundos ao mundo

Como prémio em ovação

Que ao seu barco arranca

Ostentando essa carranca

Desce do céu o infante

E assim tão galante

Por entre flores, madrigais

Ditando palavras à sorte

De coração feitas tão fortes

Amarras, cabos singelos

Amarrando nesse teu cais

Estendendo essas mesmas velas

Estendendo panos

Danças belas

Danças exóticas

Dançando à luz das estrelas

Senhor dos sonhos felizes

Vi navegar esse infante

Num mar de contentamento

Noite serena minha amante

23.


6.

Castelo da minha ilusão

Desfazendo essa mesma areia

Nas ondas da rebentação

Marulhando a esse vento

Fez da espuma do mar Rainha

Nesse castelo de areia

Que pelo canto de uma sereia

Esperança de vidas vividas

Tão constante

Sol ardente

Sol navegante

O Sol Rei

Olhando para esse farol que vigia

Abre caminho pelas estrelas

Abre velas

Abre ondas

Vem minha ternurenta amiga

Vem comigo fogarela

Vem comigo barca bela

Minha alma, minha vida

Minha doce barcarela

Bela barca, barca bela

Minha amante

Minha querida

22.


7.

Das tuas promessas quebradas

Às fúrias, ao desalento

Conjurando os quatro ventos

Tempestades iradas

Soprando ventos

Soprando fúrias

P’los raios da eternidade

Parindo filhos do vento

Das mesmas necessidades

Frutos do mesmo tormento

Que buscam no mar alimento

Acossando os pescadores

Mostrengo que urge

Mostrengo que se ergue

Mar que ruge

Mar revolto

Sendo também ele tormento

Que chama ao mar alimento

Na boca do mesmo inferno

Prenhe de memórias e esperanças

E desventuras feito

De bem-aventuranças

Do mar de lágrimas cheio

Partindo tu do mesmo mar

De outras tuas aventuras

De estórias para contar

Impregnadas de loucuras

De um tom branco rosáceo

Da tua prisão marmórea

Provas contidas no espaço

Obstáculos que enfrentas

Que te barram o caminho

Perdido por essas paredes

Onde desfias o teu novelo

Nos labirintos da memória

Presos nas mesmas redes…

21.


8.

Da Fé… Do mar sem fim…

Alfa e ómega do Tempo

Tornou-te princípio e fim

Tornou-te Deus entre os homens

E o teu corpo martirizado

Tão castigado, ferido

Chegas assim tão vencido

Não tendo havido perdão

De caminhos de desterros

Por uma escolha de homens

Por um julgamento de erros

Pregado na mesma cruz

De seres mar imenso de luz

De seres chama e fogo intenso

Clama por esse perdão

Clama por esse amor perdido

Levanta-te do chão meu irmão

Estende as mãos a esse céu

Fonte do mesmo prazer

Irmão da mesma água e fonte

Perdido na esperança de o ser

E assim esse horizonte

Jugo da terra desfeito

Perdendo eu o juízo

Da mesma matéria feito

Do inferno ao paraíso

20.


9.

Giocele tão dedicada

Que uso junto ao coração

A uma flor amada

Num hino cantada

Eterna canção

Alma gémea de amor

Da tua arte e imaginação

O meu destino, ser a metade

Fonte de vida, de juventude

No leito de morte, no teu regaço

Amante eterna, eterno o abraço

De fidelidade, dedicação

De amor eterno, promessa, jura

Tu que és desejo, fonte de ternura

Tu que és sonho e eu loucura

Da flor campestre o mesmo beijo

O mesmo sonho, o mesmo desejo

Que desce ao longo daquela encosta

A mesma esperança o mesmo fim

A mesma resposta…

19.


10.

O mesmo desejo de te ter por perto

A mesma areia, o mesmo deserto

A mesma praia, o mesmo mar

A mesma palavra, o mesmo falar

A mesma ternura, o mesmo beijo

A mesma loucura, o mesmo desejo

A mesma Fé, o mesmo Deus

A mesma oração, o mesmo sentir

A mesma condição, o mesmo juízo

A mesma esperança, o mesmo fim

18.


11.

Por eu te amar em verdade

Na nossa cama sonhada

Cheia de gosto e de vontade

Com que pairas assim etérea

Com a mesma intensidade

De amares e seres amada

De uma vontade frequente

Cheia de amor, cheia de esperança

No nosso quarto crescente

Pairando a tua presença

Que deixa esse cheiro no ar

O teu corpo tão gostoso

Que convida a saborear

Sinto o seu gosto na boca

Sinto essa fragrância tão doce

E assim dolentemente

Paira no ar imanente

Um perfume de canela

Que cresce à luz solar tão bela

Do sol nascente a mesma virtude

De seres flor e eu lapela…

17.


12.

Amando-te aqui e em toda a parte

Eu que sou arte

Tu que és engenho

Que me fascina

Que me satisfaz

Que enche o teu moinho

Num mar se sargaços e palha

Cheia de Fé

Cheia de maré

Vendo-te assim tão cheia

Na sorte que a mim calha

Na roda do teu desejar

Em voltas e voltas constantes

Num movimento circular

Que gira ao sabor da maré

Fazendo mover o teu corpo

Que entra de rompante

Enchendo-se das mesmas águas

Cheio de rio cheio de Fé

Um moinho de maré

16.


13.

O céu por ti imaginado

De ser amor e desatino

O mesmo fado

O mesmo destino

Constelações finais

Desenhando outras mais

No próprio céu imortalizado

Para gáudio dos mortais

Eterno no céu estrelado

Na loucura do amor

De ventura e desventura

Contam estórias de amor

Drago e Cassiopeia

Órion e Aquário

E assim o Sagitário

Num desejar

Desenhadas a dedo

Imaginadas no ar

Constelações de puro sonho

Filhas das estrelas que guiam

Filhas da lua filhas do vento

Esse doce encantamento

Ninfas do meu contentamento

15.


14.

(MHO)

 

Explosão de amor

Num único sentido, recomeço…

Deus

Criador do Universo

Criação de um Deus Maior

Matéria

Súbdito inverso

Rei no espírito

Mártir

De tormentos cheio

Em carne, em sangue, em ferro

Pregado na mesma madeira

Feridas de morte desejadas

Que lava as suas chagas

Que dá de beber à maralha

Cheio de água abençoada

Da cruz se fez divino poço

Em Fé, em Cristo, em carne e osso

De ser memória duradoura

Pedindo na esperança sedutora

Rezando ao sol do meio-dia

O mesmo dia

A mesma luz

Oração divina pedindo a Deus

Da cruz se fez o que merece

A mesma prece

A mesma dor

Da cruz se fez a mesma Fé

 

(MHO)

14.


15.

Da sua vida

Na noite nua

Cheia de lua

Cheia de vida

Cheia de Fé

Cheia de mar

Por puro prazer

Fonte de água pura

A fez nascer

Que prenhe de esperança

Dando a luz ao mundo

De ser mãe

Esquecendo a dor

Pedindo amor

Na mesma esperança

Que dá á luz

Fazendo nascer essa criança

Num mar de águas amnióticas

Cheia de prazer, cheia de dor

Essa mulher que grita

A tua musa que te inspira

Onde procuras à tua imagem

Serena a viagem

Onde te escondes

Jardins proibidos do amor

Jardins floridos

Onde te abrigas

As mesmas preces

Musas amigas

Que desconheces

Nos teus versos

Nas tuas cantigas

13.


16.

O meu desatino

À tua infância

Desde menino

Desde criança que eras

Que nas tuas mãos carregas

Traçada no mesmo destino

Nessa terra distante

Tão nuas

Tão brancas

De paredes caiadas

Que ronda pelas ruas

Morte e infortúnio

Incerteza e degredo

Em medo do futuro

Assim se desfazia

Mas onde a liberdade

Esperança e paz

Onde dantes havia

Nessa terra de fogo

Do amor que nascia

Em consequência

Das tardes lânguidas

Nessa dolência

Dos dias passados

Que hoje recordo

A minha glória

Por ser memória

Por ser esperança

A que me seduz

À mesma luz

12.


17.

Na despedida o beijo

De ser descobridor e marinheiro

Um grande desejo

Nos mares de Abril

De vida mil

Pequeno mas cheio

Num globo azul

Em círculos, às voltas

Por mares cruzando rotas

Para o futuro traçares

Para glória dos teus filhos

Levanta-te para mais um dia

Levantando a voz

Sempre que o mar rugia

Tremendo de medo

E que um povo temia

Onde esse mostrengo vivia

Lá mesmo no fundo

Que surgia imenso

O mar azul

Cruzando sereno

À esquerda do sul

A terra avistando

Do bombordo

Nas rotas do vento

Trazendo sonhos e alentos

Trazendo poetas e trovas

Especiarias e boas novas

Trazendo novos rumos ao mundo

Cruzando oceanos de esperança

Que partiu no mesmo barco

O nosso ninho de amor

Profundo mar

11.


18.

A confiança

Da bem-aventurança

Ao fim da esperança

Ao fim do mundo

Até ao fim

Cheio de mar

O mesmo jardim

Tempo de amar

Tempo sem fim

Senhora do Tempo

Que emana calma profunda

Floresta funda

10.


19.

Já não voltou

Quem vai ao mar

Semeando ventos

Ceifando vidas

O que o mar roubou

Que Deus devolva

No sofrimento

Pedem num pranto

A noite a pé

Mulheres de negro

A prece em Fé

As mesmas lágrimas

Sem mais vontade

Sem mais esperança

A Tempestade

Chorando a fio

O mulherio

Na terra aos Gritos

Ao largo, ao longe

Bailam no mar

Pescadores aflitos

Não voltam hoje

9.


20.

Com um cheiro imundo

Poluindo o ar

De negro fumo

De tubos de escape

Cheirando gases

Presos no trânsito

Orelhas moucas

Sem paciências

As violências

Tal como setas

Saem pela boca

Os palavrões

De punhos no ar

Tão agitados

Para protestar

Buzinam na fúria

Sem complacência

Sem cortesia

Sem paciência

Os condutores

De dois sentidos

Numa rua

Rugindo aos Gritos

8.


21.

Na despedida

Rasgando pedras

Berço da vida

Berço do mundo

No glaciar

Que cresce fundo

Do alto do monte

Que cai do cimo

Reflectidas no rio

Vestido de estrelas

Caindo o frio

Caindo a noite

Pintada de verde

Ao cimo da serra

E trilhos agrestes

Por entre veredas

Ao seu destino

A boa ovelha

Ao bom caminho

Conduzindo o pastor

Brilha no vazio imenso

Uma estrela de amor

Divinal, tão divinal

7.


22.

Ao fundo do inferno

Caminhas sereno

De altivas poses

Guerreiro forte

Pelos teus pares

És um eleito

Tornaste-te mito

De guerra feito

Rugindo um Grito

Brandindo espadas

Que tu viveste

Dessas batalhas

Com o sangue e armas

Que defendes-te

Deste lugar

Tornaste-te mártir

Lutando a sangrar

Tu que és Fera

Tu dominaste

A Arte da Guerra

De que és Senhor com Arte

Num conflito aceso

Preso na tua verdade

Enterras o machado de guerra

6.


23.

Para ser nova gente

Para nascer flor

Essa semente

Onde vai crescer

Desse teu ventre

Da sua infância

De um lusco-fusco

Trás consigo a esperança

Ao longe na estrada

Que caminhando

Do teu amante

Essa chegada

Esperas impaciente

Ao fim da tarde

Passeias serena

Esse cetim

Na despedida

É um jardim

A tua vida

Semeias ternura

Coberta de flores

Doces loucuras

Beijos de amor

5.


24.

Morreres menino

De nasceres homem

Esse destino

Essa mensagem

Esse epitáfio

A tua lápide

Numa nova vida

Para renasceres

Esse teu corpo

Semeias na terra

De uma nova vida

Esperança funda

Tão definida

Vida tu és

Nesse consolo

Vives sonhando

Tijolo a tijolo

E nessa obra

Novo juízo

Que traga à terra

Um paraíso

Um novo mundo

De construir

Nessa vontade

Dos filhos teus

A Fé dos filhos

A Fé de Deus

A Fé dos homens

4.


25.

Que não tem par

Esse mundo oceânico

A visitar

Não retornando

Na ignorância

Que iniciaste

Essa viagem

Hoje tu recordas

A esse mundo estranho

Fechando os olhos

Vais-te afundando

Cheio de medo

Mundos tamanhos

Que engolem mundos

Seres tão estranhos

Bestas imundas

Escondendo feras

De águas frias

Que tu carregas

Fossa tão funda

Funda loucura

Depósito de estranhos seres

Fim de mundo

Profunda fossa escura

Abismo mariano

3.


26.

No inferno das minhas penas

Deixei lágrimas na despedida

Deixei uma vida inteira

Deixei tudo quanto tinha

Deixei o meu saber e arte

Deixei este mundo sofrido

Deixei toda a minha vontade

Deixei num jardim escuro

Deixei nesse meu claustro

Deixei na noite escura

Deixei o mundo padrasto

Deixei a minha vida

Deixei o meu corpo e história

Deixei na minha campa

Deixei a minha memória

Deixei a esperança em terra

2.


27.

Só mais um beijo

Para te poder dar

Nessa doçura

De te conhecer

Nesse desejo

Eu te procuro

Onde te escondes

Na copa das árvores

De duras penas

Nesse teu leito

Debaixo das pedras

Eu te procuro

Por entre rios

Por entre florestas

Zéfiros e amores

Por entre flores

Na mesma prece

À luz do Sol

Hoje me aquece

Hoje recordo

O teu encanto

O teu olhar

1.