1.
Cheia de alma…
Cheia de liberdade
Plena de felicidade
Da mesma fonte, da
mesma água
Bebendo a palavra
saudade
Bebendo a palavra amor
Da mesma etérea
divindade
À procura de um amor
De uma busca incessante
Das caminhadas matinais
Ao longe brilha solene
O horizonte longínquo
Entre fontes e trigais…
27.
2.
Fonte das minhas mágoas
Fonte das minhas
ilusões
Desfeitos por outras
águas
Feitos da mesma areia
Onde se desfazem os
meus castelos
À beira da mesma praia
Para que me ouça a
saudade
Grito alto da atalaia
Grito ao vento
liberdade
Dessa maré cheia de
vontade
E no rebentar das ondas
Na praia do meu
desatino
Praia da minha
desventura
Chegando a uma praia
madura
Corre o meu destino
Pelas encruzilhadas da
vida
26.
3.
O teu amor sofrido
A mesma mágoa
Sentindo tu aflito
Dor que mata
Dor que sangra
Dor insana
Dor imensa
As tuas palavras da
sorte
Quando escreves com a
tua pena
Nesse teu leito de
morte
Que te espera serena
A terra dura
O mesmo sangue
A mesma terra vermelha
Com que escavas a
sepultura
As mesmas frases
As mesmas palavras
Que te soprou ao ouvido
primeiro
Que gritas ao mesmo
vento
Usando ao peito o
sofrimento
Dessa dor que tu
empunhas
Por ais e suspiros
desmedidos
E por gritos tão
sofridos
Filhos da mesma
desgraça
Sofrimento de outras
vidas
Lavando essas lágrimas
sentidas
O rio que passa leva as
mágoas
Das tuas vidas
Das mesmas águas…
25.
4.
Caravela…
Barca celeste
Ao vento solar das
estrelas
Enfunando as suas velas
Ao sol do seu
contentamento
Que lança amarras ao
vento
Do viajante
interestelar
Via de contentamento
Tão lácteos de alimento
Navegando nesses braços
Que prendem o sol ao
luar
De amores tão
inconstantes
As estrelas vigilantes
Estendem o seu véu
diáfano
Que tão formosas nuas
Lançando preces à lua
Cheias de saudade e de
gosto
Plenas de luar
Numa qualquer noite de
Agosto
24.
5.
Infante mudo
Mar da sua solidão
Abrindo esse mar
profundo
Dá à luz mundos ao
mundo
Como prémio em ovação
Que ao seu barco
arranca
Ostentando essa
carranca
Desce do céu o infante
E assim tão galante
Por entre flores,
madrigais
Ditando palavras à
sorte
De coração feitas tão
fortes
Amarras, cabos singelos
Amarrando nesse teu
cais
Estendendo essas mesmas
velas
Estendendo panos
Danças belas
Danças exóticas
Dançando à luz das
estrelas
Senhor dos sonhos
felizes
Vi navegar esse infante
Num mar de
contentamento
Noite serena minha
amante
23.
6.
Castelo da minha ilusão
Desfazendo essa mesma
areia
Nas ondas da rebentação
Marulhando a esse vento
Fez da espuma do mar
Rainha
Nesse castelo de areia
Que pelo canto de uma
sereia
Esperança de vidas vividas
Tão constante
Sol ardente
Sol navegante
O Sol Rei
Olhando para esse farol
que vigia
Abre caminho pelas
estrelas
Abre velas
Abre ondas
Vem minha ternurenta
amiga
Vem comigo fogarela
Vem comigo barca bela
Minha alma, minha vida
Minha doce barcarela
Bela barca, barca bela
Minha amante
Minha querida
22.
7.
Das tuas promessas
quebradas
Às fúrias, ao desalento
Conjurando os quatro
ventos
Tempestades iradas
Soprando ventos
Soprando fúrias
P’los raios da
eternidade
Parindo filhos do vento
Das mesmas necessidades
Frutos do mesmo
tormento
Que buscam no mar
alimento
Acossando os pescadores
Mostrengo que urge
Mostrengo que se ergue
Mar que ruge
Mar revolto
Sendo também ele
tormento
Que chama ao mar
alimento
Na boca do mesmo inferno
Prenhe de memórias e
esperanças
E desventuras feito
De bem-aventuranças
Do mar de lágrimas
cheio
Partindo tu do mesmo
mar
De outras tuas
aventuras
De estórias para contar
Impregnadas de loucuras
De um tom branco
rosáceo
Da tua prisão marmórea
Provas contidas no
espaço
Obstáculos que
enfrentas
Que te barram o caminho
Perdido por essas
paredes
Onde desfias o teu
novelo
Nos labirintos da
memória
Presos nas mesmas
redes…
21.
8.
Da Fé… Do mar sem fim…
Alfa e ómega do Tempo
Tornou-te princípio e
fim
Tornou-te Deus entre os
homens
E o teu corpo
martirizado
Tão castigado, ferido
Chegas assim tão
vencido
Não tendo havido perdão
De caminhos de
desterros
Por uma escolha de
homens
Por um julgamento de
erros
Pregado na mesma cruz
De seres mar imenso de
luz
De seres chama e fogo
intenso
Clama por esse perdão
Clama por esse amor
perdido
Levanta-te do chão meu
irmão
Estende as mãos a esse
céu
Fonte do mesmo prazer
Irmão da mesma água e
fonte
Perdido na esperança de
o ser
E assim esse horizonte
Jugo da terra desfeito
Perdendo eu o juízo
Da mesma matéria feito
Do inferno ao paraíso
20.
9.
Giocele tão dedicada
Que uso junto ao
coração
A uma flor amada
Num hino cantada
Eterna canção
Alma gémea de amor
Da tua arte e imaginação
O meu destino, ser a
metade
Fonte de vida, de
juventude
No leito de morte, no
teu regaço
Amante eterna, eterno o
abraço
De fidelidade,
dedicação
De amor eterno,
promessa, jura
Tu que és desejo, fonte
de ternura
Tu que és sonho e eu
loucura
Da flor campestre o
mesmo beijo
O mesmo sonho, o mesmo
desejo
Que desce ao longo
daquela encosta
A mesma esperança o
mesmo fim
A mesma resposta…
19.
10.
O mesmo desejo de te
ter por perto
A mesma areia, o mesmo
deserto
A mesma praia, o mesmo
mar
A mesma palavra, o
mesmo falar
A mesma ternura, o
mesmo beijo
A mesma loucura, o
mesmo desejo
A mesma Fé, o mesmo
Deus
A mesma oração, o mesmo
sentir
A mesma condição, o
mesmo juízo
A mesma esperança, o
mesmo fim
18.
11.
Por eu te amar em
verdade
Na nossa cama sonhada
Cheia de gosto e de
vontade
Com que pairas assim
etérea
Com a mesma intensidade
De amares e seres amada
De uma vontade
frequente
Cheia de amor, cheia de
esperança
No nosso quarto
crescente
Pairando a tua presença
Que deixa esse cheiro
no ar
O teu corpo tão gostoso
Que convida a saborear
Sinto o seu gosto na
boca
Sinto essa fragrância
tão doce
E assim dolentemente
Paira no ar imanente
Um perfume de canela
Que cresce à luz solar
tão bela
Do sol nascente a mesma
virtude
De seres flor e eu lapela…
17.
12.
Amando-te aqui e em
toda a parte
Eu que sou arte
Tu que és engenho
Que me fascina
Que me satisfaz
Que enche o teu moinho
Num mar se sargaços e
palha
Cheia de Fé
Cheia de maré
Vendo-te assim tão
cheia
Na sorte que a mim
calha
Na roda do teu desejar
Em voltas e voltas
constantes
Num movimento circular
Que gira ao sabor da
maré
Fazendo mover o teu
corpo
Que entra de rompante
Enchendo-se das mesmas
águas
Cheio de rio cheio de
Fé
Um moinho de maré
…
16.
13.
O céu por ti imaginado
De ser amor e desatino
O mesmo fado
O mesmo destino
Constelações finais
Desenhando outras mais
No próprio céu
imortalizado
Para gáudio dos mortais
Eterno no céu estrelado
Na loucura do amor
De ventura e desventura
Contam estórias de amor
Drago e Cassiopeia
Órion e Aquário
E assim o Sagitário
Num desejar
Desenhadas a dedo
Imaginadas no ar
Constelações de puro
sonho
Filhas das estrelas que
guiam
Filhas da lua filhas do
vento
Esse doce encantamento
Ninfas do meu
contentamento
…
15.
14.
(MHO)
Explosão de amor
Num único sentido,
recomeço…
Deus
Criador do Universo
Criação de um Deus
Maior
Matéria
Súbdito inverso
Rei no espírito
Mártir
De tormentos cheio
Em carne, em sangue, em
ferro
Pregado na mesma
madeira
Feridas de morte
desejadas
Que lava as suas chagas
Que dá de beber à
maralha
Cheio de água abençoada
Da cruz se fez divino
poço
Em Fé, em Cristo, em
carne e osso
De ser memória
duradoura
Pedindo na esperança
sedutora
Rezando ao sol do
meio-dia
O mesmo dia
A mesma luz
Oração divina pedindo a
Deus
Da cruz se fez o que
merece
A mesma prece
A mesma dor
Da cruz se fez a mesma
Fé
(MHO)
14.
15.
Da sua vida
Na noite nua
Cheia de lua
Cheia de vida
Cheia de Fé
Cheia de mar
Por puro prazer
Fonte de água pura
A fez nascer
Que prenhe de esperança
Dando a luz ao mundo
De ser mãe
Esquecendo a dor
Pedindo amor
Na mesma esperança
Que dá á luz
Fazendo nascer essa
criança
Num mar de águas
amnióticas
Cheia de prazer, cheia
de dor
Essa mulher que grita
A tua musa que te
inspira
Onde procuras à tua
imagem
Serena a viagem
Onde te escondes
Jardins proibidos do
amor
Jardins floridos
Onde te abrigas
As mesmas preces
Musas amigas
Que desconheces
Nos teus versos
Nas tuas cantigas
13.
16.
O meu desatino
À tua infância
Desde menino
Desde criança que eras
Que nas tuas mãos
carregas
Traçada no mesmo
destino
Nessa terra distante
Tão nuas
Tão brancas
De paredes caiadas
Que ronda pelas ruas
Morte e infortúnio
Incerteza e degredo
Em medo do futuro
Assim se desfazia
Mas onde a liberdade
Esperança e paz
Onde dantes havia
Nessa terra de fogo
Do amor que nascia
Em consequência
Das tardes lânguidas
Nessa dolência
Dos dias passados
Que hoje recordo
A minha glória
Por ser memória
Por ser esperança
A que me seduz
À mesma luz
12.
17.
Na despedida o beijo
De ser descobridor e
marinheiro
Um grande desejo
Nos mares de Abril
De vida mil
Pequeno mas cheio
Num globo azul
Em círculos, às voltas
Por mares cruzando
rotas
Para o futuro traçares
Para glória dos teus
filhos
Levanta-te para mais um
dia
Levantando a voz
Sempre que o mar rugia
Tremendo de medo
E que um povo temia
Onde esse mostrengo
vivia
Lá mesmo no fundo
Que surgia imenso
O mar azul
Cruzando sereno
À esquerda do sul
A terra avistando
Do bombordo
Nas rotas do vento
Trazendo sonhos e
alentos
Trazendo poetas e
trovas
Especiarias e boas
novas
Trazendo novos rumos ao
mundo
Cruzando oceanos de
esperança
Que partiu no mesmo
barco
O nosso ninho de amor
Profundo mar
11.
18.
A confiança
Da bem-aventurança
Ao fim da esperança
Ao fim do mundo
Até ao fim
Cheio de mar
O mesmo jardim
Tempo de amar
Tempo sem fim
Senhora do Tempo
Que emana calma
profunda
Floresta funda
10.
19.
Já não voltou
Quem vai ao mar
Semeando ventos
Ceifando vidas
O que o mar roubou
Que Deus devolva
No sofrimento
Pedem num pranto
A noite a pé
Mulheres de negro
A prece em Fé
As mesmas lágrimas
Sem mais vontade
Sem mais esperança
A Tempestade
Chorando a fio
O mulherio
Na terra aos Gritos
Ao largo, ao longe
Bailam no mar
Pescadores aflitos
Não voltam hoje
9.
20.
Com um cheiro imundo
Poluindo o ar
De negro fumo
De tubos de escape
Cheirando gases
Presos no trânsito
Orelhas moucas
Sem paciências
As violências
Tal como setas
Saem pela boca
Os palavrões
De punhos no ar
Tão agitados
Para protestar
Buzinam na fúria
Sem complacência
Sem cortesia
Sem paciência
Os condutores
De dois sentidos
Numa rua
Rugindo aos Gritos
8.
21.
Na despedida
Rasgando pedras
Berço da vida
Berço do mundo
No glaciar
Que cresce fundo
Do alto do monte
Que cai do cimo
Reflectidas no rio
Vestido de estrelas
Caindo o frio
Caindo a noite
Pintada de verde
Ao cimo da serra
E trilhos agrestes
Por entre veredas
Ao seu destino
A boa ovelha
Ao bom caminho
Conduzindo o pastor
Brilha no vazio imenso
Uma estrela de amor
Divinal, tão divinal
7.
22.
Ao fundo do inferno
Caminhas sereno
De altivas poses
Guerreiro forte
Pelos teus pares
És um eleito
Tornaste-te mito
De guerra feito
Rugindo um Grito
Brandindo espadas
Que tu viveste
Dessas batalhas
Com o sangue e armas
Que defendes-te
Deste lugar
Tornaste-te mártir
Lutando a sangrar
Tu que és Fera
Tu dominaste
A Arte da Guerra
De que és Senhor com
Arte
Num conflito aceso
Preso na tua verdade
Enterras o machado de
guerra
6.
23.
Para ser nova gente
Para nascer flor
Essa semente
Onde vai crescer
Desse teu ventre
Da sua infância
De um lusco-fusco
Trás consigo a
esperança
Ao longe na estrada
Que caminhando
Do teu amante
Essa chegada
Esperas impaciente
Ao fim da tarde
Passeias serena
Esse cetim
Na despedida
É um jardim
A tua vida
Semeias ternura
Coberta de flores
Doces loucuras
Beijos de amor
5.
24.
Morreres menino
De nasceres homem
Esse destino
Essa mensagem
Esse epitáfio
A tua lápide
Numa nova vida
Para renasceres
Esse teu corpo
Semeias na terra
De uma nova vida
Esperança funda
Tão definida
Vida tu és
Nesse consolo
Vives sonhando
Tijolo a tijolo
E nessa obra
Novo juízo
Que traga à terra
Um paraíso
Um novo mundo
De construir
Nessa vontade
Dos filhos teus
A Fé dos filhos
A Fé de Deus
A Fé dos homens
4.
25.
Que não tem par
Esse mundo oceânico
A visitar
Não retornando
Na ignorância
Que iniciaste
Essa viagem
Hoje tu recordas
A esse mundo estranho
Fechando os olhos
Vais-te afundando
Cheio de medo
Mundos tamanhos
Que engolem mundos
Seres tão estranhos
Bestas imundas
Escondendo feras
De águas frias
Que tu carregas
Fossa tão funda
Funda loucura
Depósito de estranhos seres
Fim de mundo
Profunda fossa escura
Abismo mariano
3.
26.
No inferno das minhas
penas
Deixei lágrimas na
despedida
Deixei uma vida inteira
Deixei tudo quanto
tinha
Deixei o meu saber e
arte
Deixei este mundo
sofrido
Deixei toda a minha
vontade
Deixei num jardim
escuro
Deixei nesse meu
claustro
Deixei na noite escura
Deixei o mundo padrasto
Deixei a minha vida
Deixei o meu corpo e
história
Deixei na minha campa
Deixei a minha memória
Deixei a esperança em
terra
2.
27.
Só mais um beijo
Para te poder dar
Nessa doçura
De te conhecer
Nesse desejo
Eu te procuro
Onde te escondes
Na copa das árvores
De duras penas
Nesse teu leito
Debaixo das pedras
Eu te procuro
Por entre rios
Por entre florestas
Zéfiros e amores
Por entre flores
Na mesma prece
À luz do Sol
Hoje me aquece
Hoje recordo
O teu encanto
O teu olhar
1.